sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Quem foi Jorge Amado?



Jorge Amado nasceu na fazenda Auricídia, em Ferradas, município de Itabuna. Filho do "coronel" João Amado de Faria e de Eulália Leal Amado, foi para Ilhéus com apenas um ano e lá passou a infância e descobriu as letras. A adolescência ele viveria em Salvador, no contato com aquela vida popular que marcaria sua obra.
Aos 14 anos, começou a participar da vida literária de Salvador, sendo um dos fundadores da Academia dos Rebeldes, grupo de jovens que (juntamente com os do Arco & Flecha e do Samba) desempenhou importante papel na renovação das letras baianas. Entre 1927 e 1929, foi repórter no "Diário da Bahia", época em que também escreveu na revista literária "A Luva".
Estreou na literatura em 1930, com a publicação (por uma editora carioca) da novela "Lenita", escrita em colaboração com Dias da Costa e Édison Carneiro. Seus primeiros romances foram "O País do Carnaval" (1931), "Cacau" (1933) e "Suor" (1934).
Jorge Amado bacharelou-se em ciências jurídicas e sociais na Faculdade de Direito no Rio de Janeiro (1935), mas nunca exerceria a profissão de advogado. Em 1939, foi redator-chefe da revista "Dom Casmurro". De 1935 a 1944, escreveu os romances "Jubiabá", "Mar Morto", "Capitães de Areia", "Terras do Sem-Fim" e "São Jorge dos Ilhéus".
Em parte devido ao exílio no regime getulista, Jorge Amado viajou pelo mundo e viveu na Argentina e no Uruguai (1941-2) e, depois, em Paris (1948-50) e em Praga (1951-2).
Voltando para o Brasil durante o segundo conflito mundial, redigiu a seção "Hora da Guerra" no jornal "O Imparcial" (1943-4). Mudando-se para São Paulo, dirigiu o diário Hoje (1945). Anos depois, no Rio, participaria da direção do semanário "Para Todos" (1956-8).
Em 1945, foi eleito deputado federal por São Paulo, tendo participado da Assembléia Constituinte de 1946 (pelo Partido Comunista Brasileiro) e da primeira Câmara Federal posterior ao Estado Novo. Nessa condição, foi responsável por várias leis que beneficiaram a cultura. De 1946 a 1958, escreveria "Seara Vermelha", "Os Subterrâneos da Liberdade" e "Gabriela, Cravo e Canela".
Em abril de 1961, foi eleito para a cadeira número 23 da Academia Brasileira de Letras (sucedendo a Otávio Mangabeira). Na década de 1960, lançou os romances "A Morte e a Morte de Quincas Berro d'Água", "Os Velhos Marinheiros, ou o Capitão de Longo Curso", "Os Pastores da Noite", "Dona Flor e Seus Dois Maridos" e "Tenda dos milagres". Nos anos 1970, viriam "Teresa Batista Cansada de Guerra", "Tieta do Agreste" e "Farda, Fardão, Camisola de Dormir".
Suas obras foram traduzidas para 48 idiomas. Muitas se viram adaptados para o cinema, o teatro, o rádio, a televisão e até as histórias em quadrinhos, não só no Brasil, mas também em Portugal, França, Argentina, Suécia, Alemanha, Polônia, Tchecoslováquia (atual República Tcheca), Itália e EUA. Seus últimos livros foram "Tocaia Grande" (1984), "O Sumiço da Santa" (1988) e "A Descoberta da América pelos Turcos" (1994).
Além de romances, escreveu contos, poesias, biografias, peças, histórias infantis e guias de viagem. Sua esposa, Zélia Gattai, é autora de "Anarquistas, Graças a Deus" (1979), "Um Chapéu Para Viagem" (1982), "Senhora Dona do Baile" (1984), "Jardim de Inverno" (1988), "Pipistrelo das Mil Cores" (1989) e "O Segredo da Rua 18" (1991). O casal teve dois filhos: João Jorge, sociólogo e autor de peças infantis; e Paloma, psicóloga.
Jorge Amado morreu perto de completar 89 anos, em Salvador. A seu pedido, foi cremado, e as cinzas, colocadas ao pé de uma árvore (uma mangueira) em sua casa.

Livros, fantasias e a exibição da minissérie Tenda dos Milagres são as atrações da mostra em homenagem ao escritor baiano

http://www.youtube.com/watch?v=PWb4Cm5AtLg

De 7 a 20 de novembro, o Centro Universitário Senac – Campus Santo Amaro, promove a abertura da exposição Ojuobá - Tenda dos Milagres, em homenagem ao escritor Jorge Amado, que em 2012 completaria 100 anos.

Gratuita, a mostra reúne 31 livros, que integram a obra completa do escritor baiano, além de croquis e duas fantasias da escola de samba Mocidade Alegre, que apresentará no Carnaval 2012 o enredo: Ojuobá – No Céu, os Olhos do Rei Na Terra, a Morada dos Milagre. No Coração, Um Obá Muito Amado! em homenagem ao escritor baiano. Haverá ainda a exibição da minissérie Tenda dos Milagres (transmitida em 1985 pela Rede Globo) e uma instalação em formato de tenda, decoradas com revistas de cordel, relicários, tambores e tipógrafos.

No próximo dia 9 de novembro, às 10 horas, o antropólogo Vagner Gonçalves Silva, ministra palestra sobre o livro Tenda dos Milagres.

Serviço:
Exposição Ojuobá - Tenda dos Milagres
Data: 7 a 20/11
Horário: de 2ª a 6ª, das 7h30 às 22 horas e aos sábados, das 8 às 17 horas
Local: Centro Universitário Senac – Campus Santo Amaro – Av. Engenheiro Eusébio Stevaux, 823 – Santo Amaro – São Paulo
Exposição: Biblioteca – Térreo
Palestra: Sala K 354, prédio acadêmico 2
Informações: www.sp.senac.br

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Programação centenário Jorge Amado em Sao Paulo

Para quem estiver pela cidade, também pode aproveitar para conhecer mais sobre Jorge Amado.
A começar pela Mocidade Alegre, a escola de samba que o homenageia no próximo carnaval, realiza ensaios abertos ao público até o carnaval, em fevereiro de 2012. G.R.C.E.S. Mocidade Alegre. Avenida Casa Verde, 3498 (Limão). 3857-7525. (www.mocidadealegre.com.br). Sextas às 19h, e domingo às 17h. Entrada a partir de R$ 10,00.
Ainda nesse contexto, o Centro Universitário Senac junto a Mocidade Alegre, realizam a exposição “Ojuobá – Tenda dos Milagres”, baseada no enredo da escola de samba, tematizada pela obra “Tenda dos Milagres”. Publicado em 1969, o romance é um grito de justiça social e de igualdade contra o preconceito racial e religioso. O livro, como quase todas as obras deste gênio da literatura brasileira, faz do povo da Bahia o seu grande personagem, com sua sensualidade, seu misticismo e seus heróis populares. As festas, a capoeira, o candomblé e os tipos folclóricos das ladeiras de Salvador também estão presentes. Biblioteca do Centro Universitário Senac Santo Amaro.

Centenário de Jorge Amado

Em agosto de 2012, Jorge Amado completaria 100 anos. E para festejar, uma série de comemorações foram planejadas, desde agosto de 2011 até agosto do ano que vem.
Na organização nacional, estão envolvidos representantes de algumas empresas atuantes, da Fundação Casa de Jorge Amado, e pessoas da família Amado.
(Todos os projetos irão receber o selo do centenário)
Entre os eventos que percorrem o Brasil, estão:

Outubro/2011
Lançamento do filme “Capitães da Areia”

Novembro/2011
Exposição “Ojuobá - Tenda dos Milagres” no Senac Santo Amaro, São Paulo

Dezembro/2011
Caixa comemorativa As mulheres de Jorge Amado (“Tieta do Agreste”, “Dona Flor e seus dois maridos”, “Gabriela, cravo e canela” e “Tereza Batista cansada de guerra”)

Fevereiro/2012
No carnaval carioca, a escola de samba Imperatriz Leopoldinense o terá como tema do enredo
Em São Paulo, a escola de samba Mocidade Alegre fala de Jorge Amado com o enredo baseado em sua obra.

março/2012
Exposição Jorge, amado e universal no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo
“Navegação de cabotagem” (edição especial ilustrada), Companhia das Letras
Mostra de cinema - Jorge CineAmadoGráfico, em Salvador

abril/2012
“Mar morto” (edição de bolso), Companhia das Letras

maio/2012
Série de livros infanto-juvenis, selecionado por Heloísa Prieto, Companhia das Letras

junho/2012
“O compadre de Ogum”(edição econômica).

Características das obras de Jorge Amado


Jorge Amado fez o mundo olhar o Brasil com mais admiração e respeito, ao retratar em suas obras um povo mestiço, alegre, festeiro e sensual. Foi quem melhor contou as histórias do povo negro da Bahia através de seus inesquecíveis personagens libertários e místicos, que transitaram entre mundo o real e o imaginário. A partir dele não podemos mais pensar em nosso país sem as cores e o sensualismo, a mestiçagem e o sincretismo, a fibra e a alegria que inspiraram e deram identidade às suas obras imortais.
Escritor que fez de suas obras grandes exaltações à mestiçagem, à tradição popular e a cultura negra. Apresentou-nos uma Bahia de pele morena, de uma “baianidade” singular e exótica, com docilidade, ritmo, sensualidade, feitiço, afetividade, capoeira e, claro, o candomblé. Uma gente que faz das ruas baianas o palco onde desfilam mistérios que só se encontram naquele pedaço da África no Brasil. E contribuiu definitivamente para a formação da identidade da alma brasileira... Um povo cada vez mais destinado a “nascer, crescer... se misturar!”